Preparação para um trekking no deserto marroquino: um plano prático
Uma boa preparação torna o trekking no deserto tranquilo em vez de difícil. Este guia cobre treino, equipamento, hidratação, cuidados médicos e o trabalho de se adaptar à areia.
Um trekking no deserto marroquino não exige capacidade atlética especializada, mas recompensa uma preparação sensata nas semanas anteriores à partida. O objetivo não é o auge da forma física. É chegar confortável para caminhar várias horas por dia, em dias consecutivos, no calor. A preparação tem três partes: acumular volume de caminhada, adaptar-se ao calor e reunir o equipamento certo. Tratada como um projeto curto e não como uma tarefa de última hora, ela remove a maior parte da dificuldade do próprio trekking e permite que você se concentre na paisagem em vez de administrar desconfortos evitáveis.
O treino físico deve girar em torno do volume de caminhada. O deserto pede resistência, não potência. Nas oito a doze semanas anteriores ao trekking, evolua até caminhar três ou quatro vezes por semana, com pelo menos uma sessão mais longa, de duas a três horas. Um total semanal de cerca de quatro a seis horas de caminhada é uma meta razoável para uma rota de deserto padrão. Sempre que possível, caminhe em terreno irregular e não apenas no asfalto, e inclua algumas subidas para fortalecer as pernas. Levar uma mochila leve de dia nessas caminhadas ajuda o corpo a se ajustar à carga pequena, porém constante, que você usará no trekking.
A adaptação ao calor importa porque muitos praticantes treinam em climas mais frios e chegam sem estar acostumados a caminhar no calor. O corpo se ajusta ao calor ao longo de uma a duas semanas de exposição, melhorando a forma como transpira e regula a temperatura. Você não consegue reproduzir integralmente as condições do Sahara em casa, mas pode ajudar. Caminhe na parte mais quente do dia, vista um pouco mais de roupa do que a temperatura pede e evite treinar sempre em ambientes frescos com ar-condicionado. Chegar um ou dois dias antes do início do trekking também abre um curto período de aclimatação no local antes que a caminhada comece.
O calçado é o item de equipamento mais importante de todos. Escolha tênis de trilha ou botas leves já amaciados, nunca novos para a viagem. Eles devem dar espaço aos dedos, já que os pés incham no calor, e combinar bem com as meias que você pretende usar. Muitos praticantes preferem tênis de trilha a botas pesadas para caminhar no deserto, pois o terreno raramente é técnico e um calçado mais leve é mais fresco. As polainas são fortemente recomendadas para manter a areia do lado de fora. Dedique tempo a essa escolha. A maior parte do desconforto em um trekking remonta ao calçado, e um bom calçado o evita silenciosamente.
A proteção para a cabeça e o sistema de camadas seguem a mesma lógica de sol e variação térmica. Um chapéu de abas largas ou um lenço de cabeça protege a cabeça e o pescoço ao longo do dia, e uma bandana tubular pode ser puxada sobre o rosto quando o vento levanta a areia. A roupa deve ser leve, folgada e comprida, já que a pele coberta fica mais fresca e mais protegida do que a pele exposta. O dia no deserto percorre uma ampla faixa de temperatura, então leve uma camada intermediária quente e um gorro para as noites e para o começo frio da manhã. O princípio é simples: cubra-se do sol, vista camadas contra o frio.
A hidratação é uma disciplina, não uma reação. No ar seco do deserto o corpo perde líquido de forma contínua, muitas vezes sem transpiração visível. Planeje beber cerca de três a quatro litros de água ao longo de um dia de caminhada, em pequenas quantidades regulares em vez de goles grandes em intervalos longos. Comece o dia já hidratado e continue nas paradas de descanso, sem esperar a sede aparecer. Combine a água com eletrólitos, pois o suor leva sal além de líquido, e beber apenas água pura em grande volume é menos eficaz. As equipes de apoio carregam o suprimento do dia, mas dosar o próprio consumo é tarefa sua.
A preparação médica para o deserto se concentra em alguns problemas previsíveis. O sol vem primeiro: protetor solar de fator alto aplicado com regularidade, protetor labial e bons óculos de sol são essenciais, e a luz refletida no solo claro alcança pontos que o uso comum deixa de lado. Areia nos olhos é comum quando venta, então óculos envolventes ajudam e um frasco pequeno de soro fisiológico é útil. As bolhas são a queixa mais frequente, portanto leve curativos para bolhas e esparadrapo, e trate os pontos de atrito cedo, antes que virem feridas. Um kit pessoal simples com sais de reidratação, analgésicos e qualquer medicação de uso contínuo cobre o resto.
Adaptar-se a caminhar na areia é a parte que a maioria das pessoas subestima. A areia fofa se desloca sob o pé, de modo que cada passo devolve um pouco menos do que devolveria em uma trilha firme. Isso exige mais da parte baixa das pernas e dos tornozelos, e o primeiro dia na areia costuma deixar esses músculos cansados de um jeito pouco familiar. Não existe substituto completo no treino, mas caminhar na praia, em cascalho solto ou em terreno macio ajuda a preparar a musculatura envolvida. No trekking em si, encurte a passada, reduza o ritmo e deixe a cadência se assentar. O corpo se adapta em um ou dois dias.
A Umnya realiza o trekking no deserto do Erg Chigaga de outubro a abril, como parte de seu programa de retiros no Sahara. As vagas são limitadas a 8 a 14 hóspedes. Reserve o seu lugar na próxima partida →
Three editions. Three landscapes. 2027.
Sahara Spring · Atlas Summer · Atlantic Autumn. Eight to fourteen participants. Applied together.
Discover the 2027 editions →